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domingo, 15 de março de 2020

HISTÓRIA DO SERVIÇO POSTAL



                Na Idade Média, o "correio do rei" cavalgava velozmente pelas estradas escarpadas e tinha sempre precedência sobre os demais viajantes. 
              O soldado de Maratona foi enviado a Atenas e correu até cair morto às portas da cidade no ano 490 a.C., após haver anunciado a vitória de Milcíades sobre os Persas; foi a primeira e mais gloriosa vítima do Serviço Postal.
                O "uniforme" dos antigos carteiros chineses, chamados "homens fortes", era constituído de uma lanterna e de uma sombrinha, adornada de campainhas. 
             É indiscutível que uma das primeiras necessidades do homem foi a de poder comunicar-se com seus semelhantes, quando longe destes. Mas, entre os vários povos da Antiguidade, Assírios, Babilônios, Egípcios, não se sabe a quem atribuir a iniciativa de uma primeira e regular troca de correspondência. 
               Na África primitiva, os negros, para comunicar-se entre si ou transmitir sinais de guerra ou de caçadas, empregavam o tantã, que percutiam ritmicamente com as mãos. No profundo silêncio da floresta, o tantã possui um som sinistro e sugestivo. Os indígenas ainda utilizam a fumaça para comunicar-se. 


            Pode-se afirmar, com certeza, porém, que há mais de dois mil e quinhentos anos, já existia uma organização dessa natureza. De fato, durante escavações efetuadas no Egito, no século IXX, foram encontrados invólucros de argila, contendo correspondência permutada entre os Faraós do Egito e os Príncipes da babilônia e Mesopotâmia.
                 A respeito dos  Gregos, há poucos testemunhos de sua organização postal, o mesmo não acontecendo, entretanto, com os Romanos, dos quais sabemos como um Serviço Postal, denominado "Cursus Públicus", foi aperfeiçoado pelo Imperador Augusto, que pôs na chefia do mesmo o Prefeito do Pretório, o qual, coadjuvado por vários Magistrados, era responsável pela eficiência e celeridade do serviço. 
              O "Cursus Públicus" era organizado por mensagens a pé e a cavalo, dispostos em varias distâncias, nas estradas de comunicação, junto a repartições adrede (de propósito) construídas e ali se desenvolvia o serviço semelhantemente ao jogo de estafetas. 
               Na Europa, depois do ano 1000, após a queda do Império Romano e cessadas as invasões dos bárbaros, firmou-se, no campo postal, a iniciativa privada. 
                Carlos Magno,  por sua vez, tentara reviver o "Cursus Públicus" dos Romanos, mas sem consegui-lo. Assim, por iniciativa da Igreja, das Universidades e das Associações de Comércio e dos Mercadores, nasceu uma organização postal chamada "Serviço de Correios", financiada por particulares. 
               Justamente a uma família de empreendedores privados está ligada, desde essa época, a história deste serviço: os Tasso. Estes oriundos de Bérgamo, especializaram-se na criação de vários sistemas para a permuta de correspondência, conquistando, cada vez mais, fama e notoriedade, chegando até a obter a confiança do Imperador da Áustria, Maximiliano I (1459 - 1519), o qual lhes confiou a exclusividade do serviço em seus imensos domínios. 
         Um descendente dos Tasso, Francesco, uniu-se aos Torriani, outra família de empreendedores postais, formando, assim, a casta Torre-Tasso, que dominou, com sua magnífica organização, o correio em toda a Europa. 
              Também aos Torre-Tasso é devida a iniciativa de um serviço regular, entre Viena e Bruxelas, que estabeleceu as bases dos correios modernos, não só a serviço das autoridades militares, políticas e culturais, mas de todos. Além do transporte da correspondência, os Torre-Tasso iniciaram a expedição de valores; substituíram os postilhões pelos correios e introduziram o uso das diligências. 
             Infelizmente, com o advento das estradas de ferro e navios a vapor, esta grande organização se dissolveu, e alguns países, seguindo o exemplo de outros, entregaram à autoridade do Governo o controle e a iniciativa postal. 
           Desde quando foi introduzido o Serviço Postal à disposição dos particulares, o pagamento da taxa para o transporte e entrega de correspondência era calculado de maneira diferente, que variava em razão da distância, da dimensão e da forma da encomenda e até conforme o número de páginas expedidas. 
             Estas diversidades provocaram muitos inconveniente e, desde 1608, a "Compagnia di Corrieri della Signoria", que tinha a concessão do serviçonas linhas Veneza-Roma e Veneza-Milão, instituiu folhas timbradas, que podem ser consideradas precursoras dos selos. E o exemplo foi imitado, quase duzentos anos depois, pelo pequeno reino da Sardenha e pelo das duas Sicílias; poucos anos antes que o Inglês Rowland Hill, vendo uma jovem recusar uma carta, a fim de não pagar a taxa postal, alegando que não tinha dinheiro disponível. Hil ofereceu-se para pagar, mas a moça chamou-o de lado e disse-lhe, em segredo, que não tinha mais interesse em receber a carta, porque ela o o irmão se correspondiam mediante sinais preestabelecidos no próprio envelope e, portanto já sabia o que havia no seu interior. O inglês estudou o problema em seus mínimos detalhes e teve a ideia de mandar aplicar nas sobre-cartas, pelo remetente, pequenos retângulos de papel, correspondentes á taxa devida, com o que se eliminaram muitos inconvenientes   concebeu, e a seguir realizou, a ideia do selo postal. que está em uso até nossos dias. 
                 Naquela época, na Inglaterra, vigorava o sistema do pagamento de uma taxa postal, por parte do destinatário. 
               Após estudar bem o assunto, publicou-se num opúsculo, lançado à sua própria custa,  pelo inglês Hill em 1837. Naturalmente, não faltaram contraditores e polêmicas, mas a reforma, sobretudo pela tenacidade demonstrada pelo seu idealizador, dois anos depois, isto é, em 1839, foi aprovada e, no dia 6 de maio de 1840 foram oficialmente postos á venda os primeiros selos postais. Dentro em pouco, a inovação foi adotada em quase todos os países do mundo. É importante registrar que o Brasil e a Suíça foram os segundos países a adotar o selos. O nosso primeiro selo foi o famoso, e hoje raríssimo e caríssimo, "olho de Boi", assim chamado pelo seu formato. 
            
            No desenvolvimento desse serviço, muito temos a falar sobre os atos de heroísmo e sacrifícios de anônimos. Desde o pobre soldado, que tanto correu para anunciar aos atenienses  sua vitória dobre os Persas até tombar morto às portas da cidade, aos postilhões das intermináveis planícies das Américas, em perene luta contra os Índios  e salteadores de estradas, que não tinham nenhum respeito pela vida humana. 
               Na China,  conta Marco Polo, nem sempre eram conferidos privilégios e honrarias aos correiros; de um documento, datado de 1408, soubemos, realmente, como na França não podiam dormir pela estrada e eram obrigados a percorrer pelo menos cinco milhas por hora, no verão, e quatro no inverno; ao passo que aqueles a pé tinham a obrigação de percorrer, respectivamente de três a quatro milhas. E, para cada milha percorrida a menos, recebiam como castigo uma cacetada nas costas. 
               Outros carteiros eram verdadeiras agências postais ambulantes, obrigados a carregar às costas caixas de coleta, cestas, ou enormes pastas. Quando algum deles devia atravessar um rio, onde não havia ponte, as dificuldades eram enormes; além daqueles apetrechos, tinham que levar consigo grossas bexigas cheias de ar, para não correr o risco de se afogar durante o nado ou molhar a correspondência. 
                 Aqui no Brasil, é considerado como primeiro correio , ou o primeiro carteiro, Paulo Bregaro, que trouxe a correspondência enviada por D. Leopoldina ao seu marido D. Pedro I, que estava em São Paulo. Foi ao receber tais notícias que o nosso primeiro imperador, às margens do Ipiranga, proclamou a Independência. 
                Pelo interior do Brasil, onde havia o transporte de ônibus, estes faziam a ponte entre os diversos correiros. Quando não havia, este trabalho era feito por tropeiros ou viajantes confiáveis. 
                 Felizmente, os carteiros de hoje não são obrigados a arcar com tantas dificuldades, embora  muitos deles ainda tenham que percorrer mais de 25 ou 30 quilômetros diários a pé ou de bicicleta.
              O processo do Serviço postal acompanhou o da velocidade; uma carta que há cinquenta anos levava, digamos seis dias para ser entregue, hoje o é em poucas horas pelo sistema Sedex. Selos especiais demonstram a urgência solicitada e tais cartas são confiadas a portadores especiais, de bicicleta ou mesmo motorizados. 
              Em 1858, foi inaugurada em Londres a primeira instalação para a Carta Pneumática, baseada num sistema de tubos coligados às agências postais da cidade. Tal sistema ficou em vigor por muito tempo no Brasil, mas somente na Capital federal (Rio de Janeiro). Posteriormente tivemos a correspondência chamada "fono-postal", ou carta falada, que era gravada em cabinas especiais e remetida ao seu destinatário com a maior urgência possível.  Com o advento do Coreio Aéreo, as distâncias diminuíram bastante.  
                Depois tivemos outros sistemas de comunicação como o telégrafo e o telex. 
                Hoje o mundo está todo conectado pela internet  telefones e celulares, mas os correiros, ao invés de diminuir, aumentaram sua importância pelas compras feitas através da internet que dependem dos correiros para serem entregues aos destinatários.

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quarta-feira, 4 de março de 2020

ELSA, A LEOA DOMÉSTICA






A verdadeira história contada por Joy Adamson.
Do filme "A História de Elsa

O VERDADEIRO AMOR É AQUELE QUE LIBERTA. 

                A história de Ela começa num dia em que George, meu Marido, o mais antigo guarda caça da província setentrional do Quênia, na África, Oriental, estava em expedição na mata. Atacado por uma leoa desesperada, não lhe restou outro recurso senão abatê-la. Mas, quando examinou os despojos da magnífico animal, reparou em suas mamas cheias de leite, e compreendeu por que ela o havia atacado com tanta fúria e coragem; a fera defendia os filhotes. 
                Desolados, George e Nuru, nosso auxiliar-jardineiro somali, puseram-se a procurar os leõezinhos. Logo os descobriram, embolados sob um rochedo, e os trouxeram para casa. Eram fêmeas, com dois ou três dias, no máximo, três bolinhas de pelo malhado, que tentavam esconder a cara e evitar contato conosco. Seus olhos estavam ainda cobertos por um véu azulado. eu as pus no colo, para dar-lhes confiança. 
               Dois dias se passaram antes que nossas leoazinhas aceitassem qualquer alimento. Tentei todos os truques para fazê-las engolir um pouco de leite condensado sem assucar, mas consegui delas apenas um franzir  dos pequenos focinhos. "Hon-hon", protestavam, um pouco como nós próprios fazíamos na infância, antes de aprender a dizer polidamente "não, obrigado". No entanto, quando afinal aceitaram um pouco de leite, não houve mais maneiras de satisfazê-las, e, cada duas horas,era preciso aquecer as mamadeiras. 
                A mais franzina das três leoas era também a mais orgulhosa e esperta, e tornou-se logo a nossa favorita. Dei-lhe o nome de Elza, porque ela me lembrava uma pessoa desse nome
                 Nossas pequenas pensionista adaptaram-se rapidamente a sua nova residência. Seus olhos abriram-se em poucos tempo, mas elas não podiam ainda apreciar as distâncias, e frequentemente falhavam no procurar às apalpadelas os objetos. Para ajudá-las a vencer esta dificuldade, demos-lhes, a guisa de brinquedo, bolas de borracha e velhos pneumáticos. Qualquer coisa macia e flexível as encantava. Elas disputavam a câmara-de-ar, puxando-a com todas as forças, como num cabo-de-guerra. Ganha a batalha, a vencedora desfilava diante das outras com o troféu, a fim de provocar uma revanche. Se seu desafio não provocasse reação, ela depositava o objeto diante do nariz das rivais, fingindo deliberadamente ignorar que podiam roubá-lo. 
                A surpresa constituía o elemento mais importante de todos os seus jogos. Desde a mais tenra infância elas praticavam entre si (quando não era à nossas custas) a  caça de tocaia, manifestando por essa técnica dons inatos extraordinários. Atacavam sempre por trás; mantendo-se ocultas, achatavam-se contra o chão, rastejavam lentamente em direção à vítima desprevenida, e então, rápidas como o raio, lançavam-se ao ataque e aterrizavam no lombo da presa, que prendiam contra o solo com todo o seu peso. Quando éramos nós o objeto de tais agressões, fingíamos sempre ignorar o que se prepara; agachávamos gentilmente, olhando para outro lado, até o assalto final, o que encantava nossas "gatonas". 
                 À medida que tomavam consciência de sua força, tentavam tudo que se apresentava. Por exemplo, elas não podiam ver um todo de lona, por maior que fosse, sem puxá-los de todos os lados, e, resolvendo a questão de maneira tipicamente felina, embolavam-no afinal sob o corpo, arrastando-o entre as patas dianteiras, como haveriam de fazer mais tarde, em vida adulta, para transportar uma presa morta. 
               O brinquedo predileto delas era um saco de pano cheio de velhas câmaras-de-ar, que nós pendurávamos em um galho de árvore, onde ele ficava a balançar-se atraentemente. O saco  tinha presa uma corda, que puxávamos tão-logo as leoazinhas se agarravam a ele, o que as projetava no ar. Nossos risos tinham o dom de aumentar o vivo prazer que lhes causava esse jogo violento. 
           Nossas jovens feras eram também maravilhosas trepadoras; a coisa de que mais gostavam era de subir em árvores. 
               Com cinco meses de idade, nossas alunas estavam em esplêndida forma, e ficavam cada dia mais vigorosas. A grande afeição que tínhamos por elas não nos impedia de constatar que é impossível ter em casa três leoas em pleno crescimento. A contragosto decidimos confiar as duas menores ao zoológico de Roterdã, na Holanda, e guardar apenas a nossa favorita. 
                A partida de suas irmãs abalou Elsa. Dias a fio, com o olhar pedido na mata, ela as chamava. Seguía-nos em toda a parte, temendo, evidentemente, que nós também a abandonássemos. Para consolá-la permitimo-lhe entrar em casa. Ela chegava a deitar-se em nossa cama, e muitas vezes nos acordava lambendo-nos o rosto com a língua áspera. No entanto, não faltavam animais selvagens, em torno de  nossa casa, e Elsa cedo fez conhecimento com todos. Ela ignorava o medo, e era perfeitamente capaz de atacar sozinha uma manada de elefantes. As girafas eram igualmente um grande motivo de divertimento. Um belo dia, tremendo de excitação, o corpo achado contra o solo, ela pô-se de tocaia e avançou cautelosamente. Com os longos pescoços displicentemente arqueados, as girafas não prestavam a menor atenção a suas manobras. "Por que", parecia ela dizer, "vocês ficam aí plantadas como bobas, ao invés d entrar no jogo?" Mas, em certa ocasião, parece que ela imaginou que nós, ficando lá a espiá-la, é que tínhamos feito falhar sua tocaia, porque se lançou colericamente sobre nós e nos derrubou! 
                A alimentação de Elsa consistia,desde essa época, quase exclusivamente de carne crua. Depois das refeições, ela geralmente estendia-se numa cama de campanha para tirar uma soneca. 
              A leoa crescia. Tinha agora quase dois anos, e estava ficando adulta. Sua voz quebrava-se às vezes num rugido rouco, profundo, o pelame tinha adquirido um pronunciado lustro fulvo, e acontecia ela deixar-nos por dois ou três dias. Nós sabíamos então que ela tinha ido encontrar outros leões. Mas era a nós que ela voltava sempre, em busca de comida. Permanecíamos "seu grupo", e nosso lar era seu. 
             É claro que tínhamos sempre sabido que não poderíamos guardar indefinidamente Elsa. Nossa primeira ideia fora enviá-la para juntar-se às irmãs no zoológico de Roterdã, mas suas últimas escapadas levaram-nos a modificar nossos projetos. Dado que ela parecia tão bem adaptada à selva, e que os animais selvagens admitiam sua presença, ela nos parecia poder ser a exceção que confirma a regra. Diz-se, com efeito, que um animal criado e cuidado pelo homem é sempre repelido pelos seus congêneres por causa de seu odor humano. 
             Se pudéssemos restituir nossa amiga à sua espécie, evita-lhe-íamos uma vida de cativeiro que a privaria de tudo que lhe reserva normalmente a natureza. Decidimos, portanto, levar Elsa a uma região rica de caça, passar aí com ela duas ou três semanas, para ensinar-lhe a prover por si mesma suas necessidades, e só então, se tudo se passasse como esperávamos, abandoná-la, tanto para seu bem como para o nosso, à vida selvagem. 
               Logo que chegamos ao lugar escolhido, tiramos de Elsa a coleira, para mostrar-lhe que, doravante, ela era livre. Elsa trepou de um salto para o teto do Land Rover e partimos em exploração. 
                 Um dia, surpreendemos um jovem e soberbo leão devorando a carcaça de uma zebra. Eis o marido ideal para Elsa, pensamos nós. Ele pareceu um pouco espantado por ver uma leoa instalada sobre o teto de um veículo. Mas havia comido carne fresca até fartar-se e não fez nenhuma objeção a dividir sua presa com a visitante, que saltou  do teto e precipitou-se gulosamente sobre a carcaça. Agindo da maneira mais sub-reptícia do mundo, fugimos a toda a velocidade, deixando-a em tête-a-tête com o leão. 
               Na manhã seguinte, partimos bem cedinho para visitá-la, na esperança de descobrir um casal feliz. Mas ai! a pobre Elsa, sozinha, esperava-nos no mesmo lugar onde a havíamos deixado. Ela manifestou uma alegria transbordante quando nos viu, lambeu-me as mãos com frenesi, e colou-se a mim. 
                Visivelmente, ela ainda dependia muito de nós. Alguns dias mais tarde, escolhemos um novo território, um belo lugar atravessado por um rio onde muitos animais selvagens vinham beber. 
                Elsa tinha sido ensinada a trazer a caça que matávamos. Mas, até então, nós lhe tínhamos sempre dado a carne previamente cortada. Assim, nós não tínhamos certeza de que ela saberia lidar, em plena natureza, com o cadáver de uma presa. Ficamos ao mesmo tempo surpresos e felizes ao descobrir a firmeza do seu instinto, neste particular. No entanto, ela nunca tinha caçado por conta própria. Nossa permanência à beira do rio durou o tempo suficiente para que Elsa aprendesse por si própria o que sua mãe lhe teria ensinado. A princípio, nós fomos obrigados a matar para ela, mas logo aprendeu a fazê-lo sozinha. Quando todas as condições nos pareceram afinal reunidas para que Elsa se pudesse safar sem nós, tomamos a resolução de deixá-la por oito dias.
              Enquanto fazíamos as malas, Elsa nos observava como se farejasse na atmosfera alguma coisa insólita.  
           Nós nos tínhamos habituado à ideia dessa separação razoável, indispensável, e esperávamos que mela valesse a  Elsa um futuro mais feliz, de acordo com as leis da natureza. Apesar disso, no momento de romper o último vínculo, tínhamos, meu marido e eu, o coração bem pesado. 
                 Percorremos 15 quilômetros de jipe até outro rio, às margens do qual acampamos durante uma semana. À tarde, durante meus passeios, sentia a falta de Elsa a meu lado. Ela não vinha mais esfregar a cabeça em mim, e eu tinha saudade da maciez de seu pelo e do calor de seu corpo. 
                A semana acabou-se, afinal, e voltamos a nosso primeiro acampamento, para ver somo a leoa tinha suportado a prova. Logo que chegamos, procuramos pelas pegadas, mas não as achamos. Chamei-a. Pouco depois, ouvimos seu "rong-rong" familiar, e vimo-la vir, correndo a toda velocidade  pela margem do rio. Sua acolhida provou-nos que a falta que havia sentido de nós fora tão grande quanto a nossa saudade dela. 
                   Enquanto as tendas eram erguidas, conduzi-a à margem do rio, onde repousamos juntas. Eu estava tranquila, porque sentia que o futuro dela estava assegurado. Seus sentimentos deviam ser idênticos, já que pôs sobre mim sua grande pata macia e adormeceu mansamente. 
                 À tarde, ela se foi. Ao fim de alguns dias, decidimos levantar acampamento. Na última manhã, vimo-la com o binóculo, trepada no seu rochedo favorito. Aproximamo-nos, mais, embora reagisse a nossas chamadas, não se moveu do lugar. 
                  Se ela pudesse falar, não teria maneira mais clara e comovente de exprimir seu desejo de permanecer solitária.
                 Quando os dois veículos de nossa excursão passaram sob o rochedo, a silhueta de Elsa de destacava contra o céu. Ela seguiu-nos longamente com o olhar. 
                  Depois dessa separação, visitamos Elsa a cada dois ou três meses. Ela parecia sempre feliz de nos ver. As carícias e "miaus" com que nos acolhia tocavam-nos profundamente. Mas, evidentemente, não tinha mais necessidade alguma de nós. 
              Não foi com o coração alegre que nos separamos de Elsa, mas para devolvê-la à liberdade. No entanto, tínhamos sempre esperado que ela acharia um marido e que um dia a veríamos chegar em nosso acampamento seguida de toda a sua família. Imaginem qual foi nossa alegria quando, alguns meses após, Elsa atravessou o rio a nado para juntar-se a nós. Nossa leoa favorita estava acompanhada de três magníficos leõezinhos. 
              Ela voltou à mata, mas nos trazia frequentemente os filhotes em visita. Eles aprenderam a apreciar a maior parte das brincadeiras de que gostava sua mãe quando era criança. 
                      Mas ai! em janeiro de 1961, Elsa caiu doente e morreu tranquilamente, em nossa casa. Depois de sua morte, os filhotes deram-se ao mau hábito de atacar o cago e as cabras dos indígenas. Para não ter que abater a família de Elsa, capturamos os leõezinhos. Prendemo-los em grandes caixas com respiradouros e atravessamos cerca de trezentos quilômetros de savana para soltá-los no Parque Nacional de Serengeti, na Tanzânia, onde vivem agora felizes em liberdade. 

Tudo indica que os leões serrão extintos da face da terra. Há 50 anos havia cerca de 450 mil leões; hoje só exite 15 mil. 
O ser humano é o pior dos animais que a natureza criou. Com o desenvolvimento do cérebro, dominou todos os outros animais da terra e já exterminou a maioria deles;  em 15 anos terá atingido a absurda cifra de 8 bilhões de pessoas. Ocupam todos os espaços disponíveis e não se preocupam com a fauna e o meio ambiente. Procriam como coelhos e não tem predadores. Somente a própria natureza poderá contê-los. 
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quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

CONHECENDO O TIBETE



                Deste os tempos do rei Ptolomeu do Egito, tinham-se vagas notícias de terras distantes e inacessíveis no coração do continente asiático. Algumas noções mais pormenorizadas surgiram ainda na Idade Média, graças a alguns europeus, que viajaram através da Mongólia, entre eles o veneziano Marco Polo, que mencionou o Tibete em seu livro "O milhão". Também podemos citar João da Pian del Carpine, um dos primeiros companheiros de São Francisco de Assis e fecundíssimo pregador, que foi enviado às terras asiáticas para ali difundir a religião de Cristo e chegou até à corte Grã-Cã dos Tártaros, onde teve oportunidade de conhecer, embora superficialmente, a religião tibetana. Mas o primeiro europeu que penetrou no interior do Tibete foi Odorico de Pordenone, lá pelo ano  1300. Desde essa época, somente no século XVII, e exatamente no ano de 1631, os europeus, (jesuítas e franciscanos) puderam penetrar novamente no Tibete, naquele interminável planalto de cerca de 2.600 quilômetros de comprimento por 1.300 de largura. 
              Circundando e sulcando por cadeias de montanhas orientadas na direção dos paralelos terrestres, imensas rugas da crosta terrestre, encimadas por geleiras colossais, das quais a mais comprida é a de Siacen que mede nada menos que 75 quilômetros, no coração asiático, mais precisamente no norte da península indiana. Ali estende-se longinquamente a mais vertiginosa cadeia de montanhas do mundo, o Himalaia, que se eleva a quase 9.000 metros com o pico do Everest (8.860 m), somente há poucos anos atingido, pela primeira vez, por outras criaturas humanas. Além daquela imensa cadeia montanhosa, encontra-se o mais imponente sistema de terras altas do mundo, ou seja, o planalto do Tibete, que se limita com a Índia, China e Rússia, e cuja elevação média beira os 5.000 metros acima do nível do mar. 
                O nome Tibete parece que deriva do árabe Tibat ou Tolbat, proveniente, por sua vez, da antiga denominação chinesa Tu-pat ou Tu-pang. No entanto, os tibetanos chamam seu país de Bad.
                Chamado poeticamente pelos indígenas como "país das neves" e também conhecido como Telhado do Mundo, ou seja, o limite entre o passageiro e o eterno, entre o humano e o sobrenatural; e realmente emana daquela imponente paisagem, que supera toda e qualquer imaginação de solenidade e majestosa grandeza. Um lugar onde os peregrinos religiosos têm o sentimento de proximidade com Deus, de uma passagem da caduca fraqueza humana para o "eterno poder do criador". 
                 No planalto, assolado por tempestades e percorrido por gélidos ventos, a temperatura chega, no inverno, até 40º C abaixo de zero, embora se conservando, em média, nessa estação, a 15º C abaixo de zero. Nas estações mais quentes, atinge, excepcionalmente, 25 graus acima de zero, mas, ao cair da noite, quase sempre cai novamente a zero. 
               Uma ralíssima vegetação brota nesse terreno rochoso ou coberto de calhaus, devido à desagregação de alguma rochas; e somente em certas zonas protegidas da ventania, por mérito das altas montanhas marginais, uma ou outra planta pode resistir e viver. A falta da necessária irrigação contribui para tornar mais difícil a vida dos vegetais, ainda mais porque os numerosos lagos que se acham na região são todos de água salgada e muitas das nascentes constituídas de água quente, o que é muito curioso. Apesar desse obstáculos, nessa área de 1.204.320 quilômetros quadrados, que se diria não poder abrigar as débeis criaturas humanas, vive uma população de cerca de 3 milhões, que uma atávica adaptação às condições mesológicas ou um singular e corajoso esforço de ambientação torna-se alegres e serenas, mesmo em meio a provação e às lutas impostas pela natureza hostil. Onde as condições de clima se demonstram melhores, e relativamente mais propícias, surgiram aldeias e pequenas cidades; a população se tornou mais sedentária e entrega-se ao cultivo de dificultosas plantações e pequenas hortas. Nos vales protegidos das terríveis monções e relativamente cálidos, conseguem-se obter até árvores frutíferas, tais como maçãs, nozes, pêssegos e damascos. Entre os cereais, destaca-se a cevada, mas também é cultivado o fermento, o trigo sarraceno e o milho. Tudo isso parece inacreditável num local tão difícil. 
                Um quinto da população, ao invés, vive em estado nômade, exercitando o pastoreio; mas reina, ali, uma condição de notável penúria, um nível muito baixo de vida, e as regras da higiene são quase inexistentes. 
                A população é do tipo mongólico, possui tez morena, mais clara sobre o tórax. São homens pequenos, de cabelos negros, rígidos e retos, olhos também negros; somente em alguns casos parecem estranhos, mas que se encontram apenas nos anciões, as pupilas possuem uma cor cinza-esverdeada. Uma barba muito rala ornamenta-lhes os rostros, sempre risonhos, e cabeleira igualmente pouco abundante, e usada comprida, também pelos homens, que a prendem em rabicho, sobre a nuca. As mulheres, ao contrário, separam os cabelos em número infinito de tranças, que prendem depois ao "pegu", espécie de gancho suporte, grande arco enfeitado de corais, turquesas e, nas mais ricas, com pérolas. Trata-se de amplo e complicado ornamento, que constitui o objeto mais singular de atrativo feminino e cuja riqueza é completada pelos anéis, brincos, quase sempre formados de um aro de ouro ou de prata, tendo ao centro uma turquesa. Os homens também usam brincos, ou melhor, um só brinco, precisamente no lóbulo da orelha esquerda. 
              O ouro e a prata não são   escassos na região, mas são extraídos ainda por processos rudimentares, de acordo com as possibilidades de um povo cuja natureza de terreno e o isolamento por este provocado deixam-nos ainda bem para trás, na escala da civilização, ainda que os recursos naturais pudessem, ao invés, torná-los mais ricos para gozo de bem-estar. 
              E não é somente o homem que, no Tibete, luta contra as asperezas e as intempéries. Muitas variedades de animais lhe compartilham a dura vida. Alguns maus úteis, outros menos. Inúmeros realmente lhes são nocivos como, por exemplo, o tigre com o qual se adaptou e que, embora apresente vários exemplares, acrescenta a insídia de sua ferocidade àquelas já numerosíssimas que possui e que exigem cuidado, quanto ao clima, as avalanchas, as tempestades. Menos feroz, e mais numeroso do que os tigres, outro felino habita as desertas planícies do Tibete;  é o lince, animal de porte regular, com espesso pelo acinzentado e manchas negras; e ainda, veados de toque, carneiros selvagens, gazelas, antílopes e macacos. Alguns animais são realmente úteis aos tibetanos, como o almiscareiro (moschus muschiferus), espécie de ruminante de um metro de comprimento e meio de altura, que vive em grandes altitudes e Fornece, em seus exemplares masculinos, uma substância odorosa, o "almiscar", que os tibetanos exportam. Há ainda, os minúsculos cavalos, chamados nones, conhecidos em todo o mundo, habilíssimos em grimpar pelos íngremes atalhos, onde, sem seu auxílio, o homem jamais poderia passar. Montados nesse cavalinhos, os Tibetanos disputam suas partidas de polo, esporte hoje tornado célebre e praticado em toda parte. 
                Realmente providencial para os habitantes do Tibete é o iaque, espécie de boi negro e anão, que vive tanto no estado selvagem como doméstico, e tão útil que seu próprio excremento é aproveitado como combustível, após seco. Também este é animal de grandes altitudes, pois, na verdade, não é encontrado nunca abaixo de dois mil metros e oferece, aos Tibetanos, alimento, como seu leite e carne, agasalhado, com a lã tecida com seu espesso pelo, e habitação, porque as tendas dos nômades são feitas justamente com peles desse animal. É aproveitado, ainda, no trabalho, porque se adapta docilmente a puxar arado; serve para carga, porque as lentas e intermináveis caravanas transportam, duas vezes por ano, até aos mercados limítrofes da China e serve, outrossim, de cavalgadura paciente e robusta. 
                As caravanas tibetanas se enriquecem, porém, de mais outros animais de carga, não usados em outros climas para tal fim. São os carneiros que, conduzindo pequenas cangalhas, transportam o sal mineral, de que é riquíssimo e planalto, até aos mercados chineses, onde serão tosquiados, e sua  lã logo vendida, ali mesmo. Em troca dos produtos que trouxeram de seu gélido país, os Tibetanos adquirem, nesses mercados, seda, tabaco, armas e diversas bugigangas. A simplicidade e escassez da sua alimentação (carne de iaque e carneiro, farinha de cevada, de fermento ou de milho, simplesmente embebida de água,é compensada pelos Tibetanos por uma quantidade notável, até dez por dia, de taças de chá, que é uma espécie de monopólio, mas não um chá como o que estamos habituados a tomar;é uma bebida, ao invés, extraída de longa fervura de folhas finalmente trituradas e à qual ajuntam bastante manteiga e sal. É talvez desta mistura que os Tibetanos auferem a energia necessária para viver e trabalhar num clima tão hostil. Ou talvez sejam auxiliados pelo "cian", licor obtido da fermentação de cevada e pouco alcoólico, do qual são gulosíssimos. 
                A uniformidade dos trajes entre homens e mulheres deriva, quiçá, da necessidade de bem se protegerem dos rigores do frio, necessidade que os faz deixar de lado qualquer preocupação de ordem estética. Nos "ciuba" usados pelas mulheres, o longo casaco de lã bruta, vermelho escuro, sua rusticidade está suavizada por desenhos tecidos em cruz, de vários matizes. Uma faixa de lã ou de seda lhes cinge a cintura e quase sempre de sob os casacos despontam as calças, meio compridas, tanto para os homens como para as mulheres. As altas botas, de couro de iaque ou de tela escarlate, apresentam<às vezes, a singularidade de dividir os vários dedos dos pés, assim como as nossas luvas separam os das mãos. Os chapéus masculinos são uma espécie de gorro, mas quase sempre enriquecidos, aos lados, com duas grandes abas, que são baixadas quando o gelo se demonstra muito forte. 
              Nos cumes mais altos e inacessíveis, sobre as mais resplandescentes geleiras, os Tibetanos situaram a sede de suas divindades, seja atualmente, quando professam o lamaísmo, religião muito semelhante ao budismo, e deste deriva, seja quando, em séculos distantes, professavam a religião bonpo. Em cada passagem, é crença que ali seja a morada de um espírito protetor, os caravaneiros deixam, como agradecimento, farrapos de roupa ou pedras, e recitam fórmulas de preces. Segundo a tradição religiosa, o centro do mundo está situado exatamente no monte Kailasa, de cerca de 7.000 metros de altura, e considerado, pelos Tibetanos, como a mais alta manifestação divina. Eles o denominam Pilar do Céu  ou Joia de Gelo.
                  Nos templos estão guardados muitos ídolos´ preciosíssimos, que representam as inúmeras divindades e os espíritos protetores. Diante deles, os Tibetanos recitam fórmulas e preces. Cumbum, templo de Chianzé, com 100 mil imagens. A ciclópica construção, de maravilhosa arquitetura, está enfeitada por belas e vivazes pinturas. 
              No Tibete, pontificam a superstição e o fanatismo religioso, mantidos sempre vivos pelos feiticeiros, que deles auferem grandes vantagens. Alguns feiticeiros sempre dançam disfarçados com horríveis e enormes máscaras que muito impressionam os fiéis. 
             Cada ano, caravanas intermináveis giram vagarosamente pela base do monte , por uma vereda natural, que parece cavada para isso, para a lenta marcha dos peregrinos, que avançam rezando. Mas é uma estranha maneira de orar, essa dos Tibetanos. Muitas vezes, eles se contentam em confiar suas orações, escritas em papel, a certos cilindros, a que chamam moinhos das rezas, que são girados a mão. As palavras da oração, ao se desenrolarem os rolos, sobem ao céu, sem que o crente tenha sequer o trabalho de ler as fórmulas. Algumas orações estão escritas em folhas de papel presas a altos cajados, fincados nas proximidades das casas, de modo que  o vento, fazendo tremular as bandeiras, obtém o fim desejado, ou seja, expulsar os espíritos adversos. Não é este, porém, no Tibete, um modo lícito de aproximar-se das divindades, porque, o verdadeiro, o empregam amplamente os próprios lamas, os sacerdotes de cabeça completamente raspada. 
                  O título lama significa mestre e modelo de santidade, mas é usado, no Tibete, por qualquer sacerdote. Grande é o número desses lamas, pois toda a família tibetana ambiciona ter um, em seus conventos, que são frequentemente enriquecidos com pinturas antigas e preciosos manuscritos. Há lamas de duas diferentes seitas, aqueles de gorro amarelo e aqueles de gorro vermelho. Os "amarelos", aos quais pertence o Grã lama, (Dalai Lama) ou chefe supremo da religião, são os prosélitos de uma reforma assaz recente. os "vermelhos", ao invés, são os adeptos da tradição antiga, mas como os Tibetanos acreditam na reencarnação das almas, quando morre o Grã lama, vão logo em busca de uma criança nascida no mesmo instante em que ocorreu o passamento, e, se o recém-nascido corresponde a certos outros requisitos e sinais desejados, é logo levado para a cidade santa, Lassa, que é a capital política e espiritual do Tibete, e criado naquele grandioso convento, onde o adotaram como uma divindade viva. E ele se torna, então, para toda a vida, o chefe supremo do Tibete, embora o povo não possa subtrair-se á influência e domínio dos Chineses. 
             Superstição e fatalismo tornam vantajosa a posição dos feiticeiros, que são consultados, sempre, em qualquer ocasião. Nos casamentos, para saber se o destino dos noivos é reciprocamente conveniente; nas enfermidades, para saber se o doente se restabelecerá. E quando o parecer do feiticeiro é desfavorável, o doente é entregue, com indiferença, ao seu destino. Caso morra, sendo rico, é cremado em cerimônia, mas se for pobre, e não pode pagar o luxo de uma fogueira, seu corpo é entregue para alimentação dos animais selvagens que abundam nas redondezas dos cemitérios. 
               Misto de ingênuas superstições e de adoração ao eterno príncipe criador, é o lamaísmo que comporta danças de lamas, disfarçados nas horríveis máscaras e, ao mesmo tempo surgem também como ioques, repletos de misterioso poder, dominando a vida material; poder ante o qual ficamos perplexos e espantados, só em pensar nesse ascético e espiritual recolhimento, que domina o espírito quase infantil de certas crenças realmente bárbaras e absurdas. Basta imaginar que, entre os Tibetanos, mesmo estando em vigor a monogamia e a poligamia, regra que impões à  mulher casada a obrigação de viver não só com o homem que a desposou, mas igualmente com todos os irmãos deles. 
              Rcio e belíssimo é o convento, que surge em lassa, cidade e carca de cem mil habitantes, em sua maioria lamas; mas existem, ainda, no Tibete, outros templos de maravilhosa arquitetura que, infelizmente estão em ruínas devido à incúria e abandono, como é o caso do templo de Cumbum ( o nome quer dizer literalmente templo das 100 mil imagens; sua ciclópica construção recorda em seu estilo os cumes e a projeção das montanhas para o céu, em suas majestosas agulhas. No entanto, os mosteiros não são as únicas construções religiosas tibetanas. Muito menores, mas também muito mais numerosos são os ciroten, que conservam relíquias e livros sagrados. Junto ao templo de Toling, contam-se centenas e oito deles, que é o número simbólico para o lamaísmo. 
               Também as habitações estão encastoadas nos íngremes declives, seguindo e, juntas, desafiando o ríspido flanco das montanhas. O material que forma as casas consta de blocos de barro, misturado a ramos (tipo pau-a-pique) secados ao sol; as janelas acham-se situadas bem ao alto, quase junto ao telhado, que é todo circundado de uma barra vermelha contra o mau olhado, assim como enfeitados de vermelho, de trapos de lã, se encontram os arados puxados pelos iaques. 

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